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sexta-feira, 11 de maio de 2012

História Infantil - O Pedro e o Lobo



O Pedro era um pastor. O seu trabalho era tomar conta das ovelhas enquanto estas pastavam. Mas por vezes ficava aborrecido por estar sozinho, sem ninguém com quem brincar e falar.
Um dia resolveu fazer uma brincadeira para se divertir.
Desatou a gritar:
- Lobo, lobo, socorro, está aqui um lobo!
Os fazendeiros que ouviram a gritaria desataram a correr para ajudar o Pedro a afugentar o lobo, mas quando chegaram lá não havia lobo nenhum.
O Pedro fartou-se de rir mas os fazendeiros não acharam piada nenhuma à brincadeira e foram-se embora.
No outro dia o Pedro resolveu fazer o mesmo.
Desatou a gritar:
- Lobo, lobo, socorro, está aqui um lobo!
Os fazendeiros correram para ajudar o Pedro, mas não havia lobo nenhum. O Pedro desatou a rir mas os fazendeiros ficaram zangados e disseram: - Este miúdo pensa que não temos mais nada que fazer! e foram-se embora.
Passados uns dias os fazendeiros ouviram o Pedro a gritar:
- Lobo, lobo, socorro, está aqui um lobo!
E disseram uns aos outros:
- Não nos vamos deixar enganar. Hoje ficamos aqui.
O Pedro continuou a gritar porque desta vez era mesmo um lobo que lhe estava a matar as ovelhas.
- Porque é que ninguém me ajudou? - perguntou o Pedro a chorar. Agora fiquei sem ovelhas.
Não te ajudamos porque pensávamos que era mais uma brincadeira - responderam os fazendeiros.

História Infantil - Hansel e Gretel


Hansel e Gretel, eram dois irmãos, que viviam com o pai e a madrasta e eram muito pobres.

Certa noite, depois de se irem deitar, Hansel escutou a madrasta dizer ao pai, que levasse as crianças para a floresta e as deixasse lá, pois alguém as poderia encontrar, caso contrário morreriam todos à fome.

O pobre lenhador, ficou muito triste sem saber o que fazer e no dia seguinte resolveu fazer o que a mulher tinha aconselhado.

O pai foi acordar as crianças para irem com ele à floresta apanhar lenha, Hansel que sabia qual era a intensão do pai, foi deitando migalhas pelo caminho.

Quando chegaram à floresta, o pai disse para eles ficarem ali que ele ia recolher lenha e quando acabasse vinha buscá-los.

Ao anoitecer, como o pai não aparecia, eles tentaram regressar seguindo as migalhas que Hansel tinha deixado cair pelo caminho. Mas verificaram que os pássaros tinham comido as migalhas de pão e não conseguiram encontrar o caminho.

Ao andarem pela floresta, encontraram uma casa e verificaram que era de chocolate, não resistindo começaram a comê-la. Quando ouviram uma voz:

-Quem está a comer a minha casinha?

E apareceu uma velhinha, que os convidou a entrar.

A velhinha era uma bruxa má, que prendeu Hansel num quarto e Gretel passou a ser sua criada. Tinha de lhe fazer todo o serviço e alimentar bem o Hansel, pois a bruxa queria comê-lo e todos os dias pedia o dedo do rapaz para verificar se ele estava mais gordinho, mas como ela via mal ele dava-lhe um osso, até que certo dia a bruxa verificando que ele não engordava, ordenou `menina para preparar o forno, pois naquele dia iria comer Hansel.

Gretel preparou tudo e depois disse à bruxa, parece-me que o forno está bom, mas não consigo ver, a velha bruxa, colocou-se em cima de um banco e debruçou-se para o forno, a menina com a pá empurrou a velha para dentro do forno e trancou a porta.

Gretel soltou o irmão, e ambos abriram um baú que estava cheio de moedas de ouro.

Conseguiram encontrar o caminho de volta a casa e quando o pai os viu chegar abraçou-se a eles e disse que nunca mais se iriam separar.

E viveram felizes para sempre.

História Infantil - Carochinha



Era uma vez uma Carochinha muito pretinha e muito luzidia que andava numa dobadoira a arrumar a cozinha. Qual não foi o seu espanto quando achou cinco réis, muito novinhos e amarelinhos.
Carochinha, começou a pular de contente. Depois, acabou de arrumar tudo muito bem arrumadinho, tirou o avental, compôs o vestido preto e foi pôr-se à janela, perguntando a quem passava:
- Quem quer casar com a Carochinha que é airosa e formosinha?    
Neste momento passou por ali um porco do Alentejo, muito gordo e bem tratado, que grunhiu duas vezes:
- Quero eu, quero eu.
- Que é que tu comes? – perguntou a Carochinha que era muito lambareira.
- O que Deus dá, - respondeu o porco, que realmente tinha muito boa boca.
- Não me serves, - retorquiu a Carochinha, fazendo um amuo de enfado.
O porco pôs o focinho no chão, muito envergonhado e aborrecido, e foi-se embora.
- Quem quer casar com a Carochinha, que é airosa e formosinha?   
- Quero eu, - respondeu o Gato das Botas das Sete Léguas, fazendo uma grande reverência à Carochinha.
- Que é que tu comes?
- Como tudo o que Deus dá, tendo certa preferência pelos carapaus pequeninos.
- Puf! Não me serves. Espero que Deus me há-de dar um marido mais fino do que tu.
O Gato das Botas das Sete Léguas espetou as orelhas, deu à cauda em sinal de despeito, e foi-se embora furioso.
Volta a Carochinha a perguntar:
- Quem quer casar com a Carochinha que é airosa e formosinha?
- Quero eu, - respondeu no seu vozeirão forte, um boi que ia puxar à nora.
- Que é que tu comes? – perguntou a gulosa da Carochinha.
- Como palha, feno, ervas, enfim tudo o que Deus dá para nosso sustento.
- Hum! Não me serves! Quero marido mais delicado do que tu.
O boi que era muito bonacheirão foi ruminando com a palha e as ervas que comera, estas palavras, muito sensatas:
- Forte tola! Deus me livre de tal mulherzinha!
- Quem quer casar com a Carochinha, que é airosa e formosinha? – esganiçou-se a perguntar a presumida da Carocha.
-  Quero eu, - respondeu um ladino coelho, que ia a correr para um prado.
- Tu és muito bonito, - disse a Carochinha, a olhar para o pêlo lustroso do coelho. – O que é que comes?
- Ah! minha linda Carocha! Como ervas tenrinhas, troços de couves, cenouras…
A Carochinha fez uma careta de aborrecimento e despediu o coelhinho com estas enfadadas palavras:
- Que porcaria de comida! O meu marido há-de ser uma criatura de gostos mais finos.
O coelhinho que era muito garoto fez uma careta à Carochinha e, pernas para que te quero, aí vai ele até ao prado, onde saboreou uma rica erva que lá existia.
A Carocha, já muito arreliada, tornou a perguntar, esganiçando-se cada vez mais:
- Quem quer casar com a Carochinha, que é airosa e formosinha?
- Quero eu, - disse de além um ratinho de olhitos pretos e vivos, e de orelhas espetadas.
- Que é que tu comes?
- Ora o que há-de ser? Tudo o que é bom e que está nas despensas dos ricos: bom presunto, belo queijo, chouriços, paios, fiambre, toucinho entremeado, carne assada, muito tenrinha…
- Que rico marido eu encontrei, - respondeu radiante a nossa lambareira Carochinha.
Combinado o casamento, fez-se uma festa de truz. Houve um jantar tão cheio de petiscos e iguarias, que toda a bicharada dele falou durante muito tempo.
No Domingo, Carochinha vestiu o seu vestido de cetim preto, pôs um chapéuzinho impertinente com duas aigretes pretas e, toda vaidosa, foi à missa com o marido.
No meio do caminho, Carochinha, reparou que não tinha trazido as luvas.
Tolinha como era, ficou muito arreliada com o caso. «O que iriam pensar dela os bichos da vizinhança?» Uma senhora tão ilustre sem luvas!
O João Ratão – era este o nome do marido da Carochinha – logo, todo amável, voltou atrás a buscá-las.                                 
Abriu a porta da sua casinha, e o seu paladar foi tentado, pelo rico cheirinho que se espalhava pela casa toda. Um cheirinho a toucinho que era mesmo um regalo.
Com a boca cheia de água, o nosso amigo aí vai, já esquecido das luvas, até à panela que fervia em lume brando.
João Ratão, destapou a panela e, gulosamente, meteu a mão para tirar um pedacinho do tentador toucinho mas, com tanta infelicidade o fez, que escorregou e caiu dentro da panela.
Carochinha esperou, esperou impacientemente, bateu o seu pézito calçado com botinha de verniz preto e, furiosa, foi a casa pronta a zangar-se com o João Ratão por a ter feito esperar tanto tempo.   
Chegou lá e o coração deu-lhe um baque. A panela destapada, fazia com que se espalhasse pelo ar um cheiro a toucinho e a rato cozido.
Ah! o pobre João Ratão fora vítima da sua gulodice! Má hora aquela em que quisera casar com um guloso.
Talvez tivesse sido mais feliz se houvesse casado com um dos primeiros pretendentes: o porco, o gato, o boi… Todos tão simples, e tão frugais que se contentavam com qualquer comida.
Carochinha sentou-se num banquinho da cozinha, lavada em lágrimas. O banco, apesar de ser de pau, lá se comoveu com a sorte da Carochinha, e perguntou-lhe por que estava triste.
- Ora por que há-se ser, meu amigo? É que morreu o meu João Ratão.
- Então eu para compartilhar do teu desgosto, vou-me partir.
E bumba, o banco partiu-se e atirou com a Carochinha de pernas para o ar. Lá ficou a pobrezita deitada de costas a lamentar aquela triste ideia do banco.
«Partir-se para quê? Longe de remediar o seu mal, ainda por cima a deixava de costas, numa posição tão incómoda e de que custava tanto libertar-se.»
Após muitos esforços, conseguiu colocar-se na sua posição habitual e foi esconder-se atrás duma porta, para chorar à vontade a sua dor, sem ninguém a incomodar.
A porta, porém, apercebeu-se das lágrimas da Carochinha, e perguntou-lhe o que tinha.
- Valha-me Deus! Morreu o meu João Ratão.
- Pobre de ti! Quero acompanhar-te na tua mágoa. Vou-me pôr a abrir e a fechar; os meus gonzos chiarão e será esse o meu choro.
Mal dissera aquilo, a porta pôs-se a abrir e a fechar , e a Carochinha, se não desse um pulo, morria esmigalhada.
- Esta só pelo mafarrico! Para que quererão os outros partilhar, aparentemente, uma dor que não é sua?
Carochinha saiu de casa, pensando que ao ar livre estaria melhor. Foi sentar-se à sombra duma nogueira e começou a soluçar baixinho:
- Morreu o meu João Ratão!
A árvore que isto ouviu, pôs-se logo a lamentar a sorte da pobre Carocha e, querendo manifestar-lhe a sua pena, começou a deixar cair sobre ela todas as nozes que tinha.
Algumas magoaram bastante a pobrezita que, foi a correr pelos campos fora, sem ânimo para chorar a morte do seu João Ratão, não fossem outras coisas condoer-se da sua desdita e molestá-la mais ainda.

História Infantil - O Rato do campo e o rato da cidade


     O Senhor Rato da Cidade foi um dia visitar o seu amigo Rato do Campo, que o tinha convidado a passar uma tarde com ele. Habituado ao conforto da casa da cidade em que vivia, o Senhor Rato da Cidade não gostou do buraco pobre, sem tapetes nem asseio, em que morava o seu amigo Rato do Campo. Este, coitado, bem fez tudo para lhe agradar, mas o Rato da Cidade mostrava-se cada vez mais enjoado com o que via.

     Ao jantar, o Rato do Campo trouxe-lhe o que tinha de melhor: uns pedacinhos de queijo velho, uns bocados de pão, uma batata, raízes e alguma fruta. Ofereceu tudo ao amigo e ele pôs-se a roer uma palha dura e a aproveitar as migalhas que caíam.

     Depois de comer, o Rato da Cidade disse ao amigo, com ar importante:

     - Sabes que mais? Não sei como podes viver assim. Aqui não há comer, nem há nada. Eu, no teu lugar, dizia adeus a esta miséria e ia para a cidade. Lá é que é viver! Com boa comida e boa toca: é uma vida regalada!

      O pobre Rato do Campo, envergonhado com a sua pobreza e seduzido com as belezas do que o amigo lhe falava, resolveu ir com ele para a cidade.

     Quando lá chegou e entrou na casa onde o Rato da Cidade tinha a sua toca, ficou admirado com a riqueza que via e com os tapetes em que se afundava ao passar. Por toda a parte havia boas comidas e com fartura.

     Contentíssimo, o Rato do Campo regalou-se a comer do melhor que encontrava, e o outro ria-se de o ver tão palerma no meio daquilo tudo.

     Estavam os dois no melhor da festa, a comer e rir, quando aparece um grande gato, que se atira a eles de um pulo. O da casa depressa enfiou para o seu buraco e fugiu ao gato. Mas o do campo, coitadinho! Aos saltos e às corridas, sem conhecer a casa, lá se escondeu do gato conforme pôde.

     Quando o gato desistiu de apanhá-los e o susto passou, o pobre ratinho saiu do seu esconderijo e foi falar com o outro à porta da casa dele.

     - Vou-me embora, amigo. Isto pode ser muito bom e muito bonito, melhor do que a minha casa pobrezinha, mas é perigoso. Lá na minha casa como do que posso e quando há, mas estou descansado. Passa muito bem, que eu contento-me com o que tenho. Antes magro no mato do que gordo na boca do gato.

     E voltou a correr para sua casa.

História Infantil - O Coelhinho e a Cabra-Cabrês



Era uma vez um coelhinho que foi à horta para apanhar couves para o seu caldinho, quando chegou a casa a porta estava fechada, e como ele a tinha aberta ficou muito assustado e bateu à porta.




Trus!! Trus!! Trus!! Quem está ai? – pergunta o coelhinho.

- É a cabra cabrês que te salta em cima e te faço em três.

O coelhinho ficou muito aflito e foi pedir ajuda. Encontrou o seu amigo cão e disse-lhe: - Oh, amigo cão, eu estou com muito medo: bati à porta de casa e respondeu-me a cabra cabrês que me salta em cima e me faz em três. Por favor, ajuda-me.

O cão respondeu-lhe: - Eu não. Cheguei da caça e estou muito cansado; vai procurar ajuda a outro lado.

O Coelhinho andou, andou, e encontrou o amigo Boi, e disse-lhe. - Oh, amigo boi, na minha casa está a cabra cabrês que me salta em cima e me faz em três. Por favor, ajuda-me.

O Boi respondeu-lhe: - Eu não. Acabei agora de pastar e estou muito cansado vai procurar ajuda a outro lado.

O Coelhinho triste foi ter com o Galo, mas ele respondeu: Estive a cantar e estou muito cansado, vai procurar ajuda a outro lado.

O Coelhinho chorava e sem esperança encontrou a formiga que lhe perguntou porque chorava. E o coelhinho disse-lhe: - Niguém me quer ajudar e eu tenho, em minha casa, a cabra cabrês que me salta em cima e me faz em três.

A formiga pensou em ajudar o coelhinho e disse-lhe: Então vamos lá a tua casa, bate tu à porta que eu respondo.

O coelhinho com medo bateu à porta e a cabra cabrês respondeu:

- Eu Sou a Cabra cabrês que te salta em cima e te faço em três.

E a formiga responde: -E eu sou a formiga rabiga que te salta em cima e te fura a barriga.

A formiga entrou na casa picou a cabra cabrês e esta com medo fugiu.